domingo, 15 de novembro de 2009

33º Domingo do Tempo Comum



Primeira leitura: Daniel 12,1-13
Nesse tempo, teu povo será salvo.

Salmo responsorial: 15(16),5.8.9-10.11
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Segunda leitura: Hebreus 10, 11-14, 18
Com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica.

Evangelho: Marcos 13, 24-32
Ele reunirá os eleitos, de uma extremidade à outra da terra.


Estamos já chegando ao final do ano litúrgico. A liturgia de hoje nos apresenta, através da leitura do Antigo Testamento e do Evangelho, textos relativos ao final dos tempos. Efetivamente, a passagem de Daniel visa proteger seu povo. Estas palavras de Daniel, devem ser vistas no conjunto de todo o livro, cujo gênero e estilo pertencem à apocalíptica, bastante popularizada nos últimos tempos final do período do velho testamento. Todo o livro de Daniel é um apelo à esperança, característica principal de toda a literatura apocalíptica. Não se trata tanto de uma revelação especial do que vai acontecer no final dos tempos, mas da utilização de imagens que convidam a manter viva a esperança, a não sucumbir ante a idéia de dominação absoluta de um determinado império. O texto que lemos hoje é subversivo para a época, pois convida à recusa do senhorio absoluto dos opressores gregos da época que, pela violência, se julgavam donos absolutos das pessoas, do tempo e da história.

Por sua parte, o evangelho de Marcos nos apresenta uma mínima parte do seu discurso escatológico. Um pouco antes de começar a narrativa da paixão, morte e ressurreição de Jesus, os três sinópticos nos apresentam palavras de Jesus, carregadas de sabor escatológico.

A passagem de hoje precisa ser lida à luz do capítulo 13. Mais convém que seja lido todo ele e, se possível, que leiamos também o discurso escatológico de Mateus e de Lucas, isto nos ajudará a ver muito melhor as semelhanças e as diferenças entre os três e, por outro lado, nos facilitará uma melhor compreensão do sentido e finalidade que cada um quis dar a essa secção.

Tenhamos em conta que, em nenhum momento, os evangelhos falam do fim do mundo em sentido estrito. Essa é uma interpretação equivocada que não tem conduzido aos melhores resultados: nem à fé aqueles que acreditam, nem a um compromisso com o próximo e com a história. Não é este, com palavras pinçadas daqui e dali, o "fundamento" bíblico ou teológico das coisas que vão se realizar nos últimos tempos ou os novíssimos, de que nos ensina a teologia. Ou, pelo menos, essa verdade não deve ser reduzida a isso.

Jesus não prega o fim do mundo, esse não era o seu interesse. As imagens de uma comoção cósmica, descrita com a queda de estrelas, o sol e lua que escurecem, etc., são uma forma veterotestamentaria de descrever a queda de algum rei ou de alguma nação opressora. Para os antigos, o sol e a luz eram representantes de divindades pagãs (cf. Dt 4,19-20; Jr 8,2; Ez 8,16), enquanto que os demais astros e as chamadas "potências do céu", representam os chefes que se sentiam filhos dessas divindades e, em seu nome, oprimiam os povos, sentindo-se eles também como seres divinos (Is 14,12-14; 24,21; Dn 8,10). Pois bem, na linha do Primeiro Testamento, Jesus descreve, não tanto a queda de um império ou coisa que o valha, mas o anuncio dos efeitos libertadores do evangelho; é que o evangelho de Jesus deve provocar como que um desmoronamento de todos os sistemas injustos que, de um modo ou de outro, vão se erguendo como astros no firmamento humano.

Jesus está consciente e sabe que a única forma de resgatar, redirecionar o rumo da história pelos horizontes queridos pelo Pai e por sua justiça, é fazendo cair os sistemas que ao longo da história tentam suplantar o projeto da justiça querido por Deus, com um projeto próprio, disfarçado de vida, mas que na realidade é de morte. Esta tarefa deve ser realizada pelo discípulo, o que aceitou Jesus e seu projeto. É bom lembrar a intencionalidade teológica e catequética de Marcos: Jesus, o Messias (cujo "segredo" é mantido ao logo de todo o evangelho), somente pode ser conhecido pelo seguimento; ou seja, o seguimento implica, não somente ir atrás dele, mas tomar o lugar dele, assumir sua proposta como própria e lutar até o final por sua realização.

Dessa forma, quem é discípulo ou discípula, está comprometido com a derrota dos sistemas injustos, cujo desaparecimento causa, não medo mas alegria, aquela alegria que sentem os oprimidos quando são libertados. Essa deveria ser nossa preocupação constante e o motivo de discernimento para ver se de fato estamos comprometidos com uma evangelização transformadora das estruturas injustas em relações de justiça; e se isso está causando verdadeiramente esse efeito que deve ter o evangelho, ou se simplesmente estamos aí à mercê das correntes do momento, esperando talvez que se cumpra o que nem sequer passou pela mente de Jesus.

FONTE: PORTAL CLARET

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