sexta-feira, 20 de maio de 2011

As paróquias e a catequese



Costumamos encontrar dois tipos de organização paroquial. Vejamos!

A - Paróquia desarticulada
Na paróquia desarticulada não costuma haver um planejamento comum. Ela é apenas um território onde prolifera todo tipo de movimento, organização, entidades, pastorais e coisas afins. Cada movimento, cada pastoral, cada entidade, cada organização caminha por própria conta e risco. Não há uma engrenagem que una os diversos grupos, um eixo em torno do qual toda a organização possa girar. Com isso, não se estabelecem metas claras, nem se sabe ao certo que objetivos a paróquia quer alcançar.
Nessa paróquia, cada grupo tem suas próprias metas e objetivos. Cada frente de trabalho quer crescer mais e mais e se afirmar diante das outras iniciativas. Então, a vida paroquial será um fogo cruzado. Cresce a competição interna de iniciativas que disputam o apoio ou a preferência do padre. O padre fica geralmente como cego no tiroteio, caindo de pára-quedas ora aqui, ora ali, tentando dar atenção a todos.
Poderíamos comparar a paróquia desarticulada com um grande jogo de futebol em que cada jogador quisesse ganhar sozinho. Os movimentos e pastorais seriam os jogadores em batalha e o padre seria como o juiz. O máximo que ele consegue é apitar o jogo e olhe lá!
Esse tipo de paróquia não tem metas nem prioridades. As pessoas não pensam conjuntamente. Não há convergência de esforços. Cada parte quer fazer o todo. Todos disputam a mesma fatia. A catequese quer dar formação. A renovação carismática quer dar formação. A pastoral da juventude quer dar formação. O encontro de casais quer dar formação. Mas cada um quer dar o seu tipo de formação. Todos fazem a mesma coisa, cada qual do seu jeito, e no fundo não conseguem bom resultado. Cada um concebe sua própria formação, voltada não para a pessoa, mas para a afirmação do movimento ou pastoral de que participa.
Quando a catequese tenta sobreviver numa paróquia desarticulada, é muito difícil. A paróquia não terá recursos suficientes para investir, pois gasta dinheiro com um milhão de iniciativas que se atropelam. As pessoas estarão sempre sobrecarregadas, pois acabam participando de tudo quanto é iniciativa. Alguns chegam a disputar quem participa de mais coisas. A Paróquia toda – padre e fiéis – cairá no ativismo, depois no stress pastoral, depois no desânimo.
Nessa paróquia, a catequese não se renova facilmente. Os catequistas até que entendem a importância de melhorar o processo catequético. Mas os outros terão dificuldade de entender. Catequese de adultos, nem pensar. Os adultos não terão tempo para a formação e, se tiverem, será para participar de cursos aqui e ali. Formação permanente jamais vai funcionar numa paróquia desarticulada. Há paróquias que tentam e tudo se confunde. Tivemos notícia de uma em que os jovens já não sabem de que devem participar: se do grupo de jovens, se da catequese de jovens, se do grupo de oração de jovens, se dos jovens vicentinos... Cada grupo dá uma formação diferente e, às vezes, até contraditória.

B - Paróquia articulada
A paróquia articulada é aquela cuja ação é cuidadosamente planejada. Normalmente essas paróquias têm um centro articulador que serve de ponto de apoio para a unidade dos trabalhos. Todas as iniciativas se entrosarão a partir do centro de articulação da paróquia. Há metas e objetivos claros a alcançar. Esses objetivos serão da paróquia e não de cada grupo paroquial. Todos os movimentos e pastorais assumirão os objetivos paroquiais.
Essa paróquia é semelhante a uma grande empresa com vários departamentos. Cada departamento tem uma função clara e específica. A soma do esforço conjunto de todos os departamentos garante o sucesso da empresa. Não há rivalidade entre os departamentos, pois cada um tem sua especificidade e dá o melhor de si para atingir as metas da empresa que são o objetivo final de todos.
Numa paróquia articulada, os leigos trabalharão em conjunto, desenvolvendo tarefas com objetivos claros, avaliando, revendo, buscando os melhores resultados. O padre estará orientando e animando, dentro dos objetivos propostos. Essa estruturação evita o stress pastoral, porque se pode a cada momento sentir o rumo da caminhada, colhendo resultados concretos. Quando a catequese de crianças e jovens está numa paróquia assim, será muito mais fácil.
A articulação da paróquia, que é condição para um eficiente processo formativo, vai exigir uma espécie de ecumenismo interno na Igreja. As paróquias precisam criar a disposição para dialogar a partir do que se tem em comum, superando as divergências. Diferenças são normalmente benéficas. Mas quando viram divergências acirradas prejudicam o ecumenismo interno. Isso impede um processo formativo mais consistente, já que inviabiliza a unidade paroquial.               
Nesse sentido, muitos preconceitos ainda precisam ser superados, principalmente aquele que força uma contradição entre movimentos e pastorais ou entre espiritualidade e ação pastoral. O preconceito pode ser bastante sutil.
Certa vez, num encontro de catequistas, um teólogo conceituado falou brilhantemente sobre a teologia de Lucas. Em dado momento, passou a criticar, fazendo deboche, certas pessoas que fecham os olhos e franzem a testa na hora da consagração da missa. Ora, a catequese fala tanto de expressão corporal! Fechar os olhos e franzir a testa não poderia ser também uma expressão corporal válida? Por trás de uma piada que parecia inocente, estava escondido um mal-estar diante de grupos que são mais generosos em sua expressão corporal.
Esse tipo de atitude, muito comum, causa dificuldade, na hora de trabalhar em comunhão, girando em torno do mesmo eixo, de modo articulado. A articulação da paróquia depende não somente da boa vontade dos seus líderes, da motivação do pároco, mas da superação de certas suspeitas que colocam grupos da mesma Igreja em posições antagônicas. Se um grupo critica o outro, se um se acha mais adequado que o outro, se um zomba da espiritualidade do outro, fica difícil trabalhar em harmonia.

Textos da professora Solange Maria do Carmo em parceria com o Pe Orione Silva e que serão publicados em formato de um livro, pela editora Paulus, com o título Catequese permanente: fundamentos e organização.

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