Caríssimos, o
título do Capítulo IV da Exortação Apostólica Amoris Laetitia (Sobre o amor na
família), “O amor no matrimônio”, nos traz que a graça do Sacramento do
Matrimônio destina-se, antes de tudo, “a aperfeiçoar o amor dos cônjuges”. Por
outro lado, Papa Francisco traz à tona o fato da palavra “amor” aparecer muitas
vezes de forma desfigurada. O hino à caridade, escrito por São Paulo (1Cor 13,
4-7), vemos as características do amor verdadeiro:
§
Paciência:
uma pessoa mostra-se paciente, quando não se deixa levar pelos impulsos
interiores e evita agredir. A paciência de Deus é exercício da misericórdia de
Deus para com o pecador e manifesta o verdadeiro poder. Ter paciência não é
deixar-se agredir ou maltratar-se, mas não exigir que as pessoas sejam
perfeitas ou que se cumpra unicamente a nossa vontade. O amor possui sempre um sentido
de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, mesmo
quando age de modo diferente do que eu desejaria.
§
Atitude
de serviço: o amor beneficia e promove os outros e Paulo insiste que o amor
não é apenas um sentimento. Santo Inácio de Loyola, “o amor deve ser colocado
mais nas obras do que nas palavras”.
§
Curando a
inveja: no amor não há lugar para sentir desgosto pelo bem do outro (cf. At
7, 9; 17, 5). Enquanto o amor nos faz sair de nós mesmos, a inveja leva a
centrar-nos em nós próprios. O verdadeiro amor aprecia os sucessos alheios, não
os sente como uma ameaça.
§
Sem ser
arrogante nem se orgulhar: quem ama não só evita falar muito de si mesmo,
mas, porque está centrado nos outros, sabe manter-se no seu lugar sem pretender
estar no centro. O que nos faz grandes é o amor que compreende, cuida, integra,
está atento aos fracos. É importante que os cristãos vivam isto no seu modo de
tratar os familiares pouco formados na fé, frágeis ou firmes nas suas
convicções. A atitude de humildade aparece aqui como algo que faz parte do
amor, porque, para poder compreender, desculpar ou servir os outros de coração,
é indispensável curar o orgulho e cultivar a humildade. Na vida familiar, não
pode reinar o domínio de uns sobre os outros, nem a competição.
§
Amabilidade:
amar é tornar-se amável, significando que os modos do amor, seus gestos, suas
palavras, são agradáveis e não gosta de fazer o outro sofrer. Ser amável é uma
das exigências do amor. Para se ter um verdadeiro encontro com o próximo é
necessário um olhar amável sobre ele. O amor amável gera vínculos. A pessoa que
ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem,
consolam e estimulam.
§
Desprendimento:
para amar os outros é preciso amar primeiro a si mesmo. Mas para que o amor não
busque o seu próprio interesse, deve-se evitar dar prioridade ao amor a si
mesmo, como se fosse mais nobre do que o dom de si aos outros. Deve-se amar sem
esperar nada em troca.
§
Sem
violência interior: trata-se de uma irritação que nos põe em situação de
defesa. Alimentar essa agressividade serve apenas para nos adoentar, acabando
por nos isolar. Para se restabelecer a harmonia familiar basta um pequeno
gesto, um carinho.
§
Perdão:
se permitirmos a entrada de um mau sentimento no nosso íntimo, damos lugar ao
ressentimento que se aninha no coração. O contrário disto é o perdão, fundado
numa atitude positiva que procura compreender a fraqueza do outro. Mas não é
isto que estamos vendo nos matrimônios: qualquer erro ou queda do cônjuge pode
danificar o vínculo de amor e a estabilidade familiar. Perdoar realmente não é
fácil. Exige uma generosa disponibilidade à compreensão, à tolerância, à
reconciliação. Para se poder perdoar, precisamos passar pela experiência
libertadora de nos compreendermos e perdoarmos a nós mesmos.
§
Alegrar-se com os outros: alegra-se com o bem do
outro quando se reconhece a sua dignidade, quando se apreciam as suas
capacidades e as suas boas obras. Isto é impossível quando a esposa ou o esposo
sente necessidade de se comparar ou de competir com o cônjuge. Quando uma
pessoa que ama pode fazer algo de bom pelo outro, ou quando vê que a vida do
outro está indo bem, vive isso com alegria. A família deve ser sempre o lugar
em que uma pessoa que conquista algo de bom na vida, sabe que vão com ela se
alegrar.
§
Tudo
desculpa: “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”, nos diz o
hino à caridade. A Palavra de Deus se mostra dura com a língua, porque com ela
expressamos desafetos e dissabores. O amor faz o contrário, ele defende a
imagem dos outros com muita delicadeza. Os esposos que se amam falam bem um do
outro e procuram mostrar o lado bom do cônjuge, apesar das suas fraquezas.
Todos temos em nós uma complexa combinação de luzes e sombras. Não podemos
exigir que o amor seja perfeito para apreciá-lo: ama-se como é e como pode, com
os seus limites, não significando que o amor não seja real, mas é limitado e
terreno. O amor convive com a imperfeição, desculpa-a e sabe guardar silêncio
perante os limites do ser amado.
§
Confia:
o amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a
dominar. Esta liberdade consente que a relação se enriqueça e os cônjuges, ao
se encontrarem, podem viver a alegria de partilhar o que receberam e aprenderam
fora do circuito familiar. Ao mesmo tempo torna possível a sinceridade e a
transparência, porque a pessoa, quando sabe que o outro confia nela, mostra-se
como é, sem dissimulações.
§
Espera:
indica a esperança de quem sabe que o outro pode mudar, espera um
amadurecimento. Inclui também a esperança na vida além da morte.
§
Tudo
suporta: não significa tolerar aquilo que é errado, que incomoda, mas de
ser capaz de superar qualquer desafio. Na vida familiar é preciso cultivar esta
força do amor, que permite lutar contra o mal que a ameaça.
Na próxima terça, abordaremos mais sobre este
capítulo, devido a sua riqueza de conteúdo e extensão.
Deus ilumine o amor no matrimônio, base para uma família
feliz, em cujos membros existe o testemunho vivo do amor, do perdão, da
confiança e da amabilidade, apesar das lutas do dia a dia.
Tatiane Bittencourt
COMIPA
(Hj excepcionalmente, na quarta-feira)
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