A REJEIÇÃO
Entre a primeira vez que Jesus vai à sinagoga (em Cafarnaum, Mc 1,21-28) e o episódio de hoje (em Nazaré, sua terra, 6,1-6), há a calúnia venenosa dos doutores (mestres, escribas) da Lei, que controlavam as sinagogas e “faziam a cabeça” do povo (1,22). A calúnia arrasadora soa assim: “É por Belzebu, príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios” (3,22). Jesus chama essa atitude de “blasfêmia contra o Espírito Santo” (3,19), pois nega radicalmente aquilo que foi dito em 1,9-12: o Espírito Santo é quem move Jesus à ação, expulsando demônios e curando doentes – em outras palavras, destruindo a exclusão.
Essa hipótese muda completamente a perspectiva. Os comentários na sinagoga de Nazaré estão contaminados de ideologia semeada pelos mestres da Lei e soam como deboche grosseiro contra o conterrâneo Jesus. Não são palavras carinhosas de admiração, mas de rejeição, pois ele não estudou na escola dos mestres da Lei em Jerusalém (Jo 7,15; Mc 3,22). É na perspectiva dessa gente, um desqualificado, e sua ação de expulsar demônios só pode ser entendida à luz de evidente parceria com o chefe dos demônios.
Mais grave ainda: é o carpinteiro – termo que caracteriza o artesão que lida com madeira, ferro e pedras – “o filho de Maria”. Essa expressão também é carregada de deboche cruel, pois naquela cultura se costumava identificar as pessoas citando o pai, não a mãe.
É preciso estarmos alerta contra as ideologias que se chocam com as nossa fé em Jesus e com o Espírito Santo que nele age. E são muitas. Às vezes se afirma que “Deus é brasileiro”. Ora, se esta é também sua pátria, por que continua sendo rejeitado, até por nossos preconceitos? O que teríamos dito se estivéssemos naquela sinagoga de Nazaré?
Pe José Bortolini, ssp
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